Tecnologia do Futuro

17 ago, 2009

Musical da Broadway faz sucesso com versão no Twitter

Posted by: Geórgia Honório In: Dicas de Tecnologia

Em uma recente apresentação de “Next to Normal”, musical em cartaz no Booth Theater, na Broadway, Alice Ripley, premiada com o Tony por sua interpretação de Diana, uma mãe suburbana que sofre de distúrbio bipolar, deixou cair do palco um telefone sem fio que estava por atender. Ela sorriu para a plateia e pediu: “Alguém poderia apanhar o telefone para mim?”
Diversas pessoas tentaram encontrar o aparelho sem sucesso, e por fim uma espectadora na primeira fila mostrou o celular; Ripley aceitou, conduziu o diálogo usando o aparelho e depois o jogou de volta para a dona, gerando aplausos e risadas.

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Na verdade, é estranhamente apropriado que o celular de uma espectadora tenha ganho papel em “Next to Normal”, porque muita gente descobriu a peça por meio desses aparelhos.
No começo de maio, seis semanas depois da estreia, o espetáculo criou um precedente na Broadway ao usar o serviço de rede social Twitter para veicular uma versão adaptada de seu texto dividido em “tweets”, as mensagens do serviço, uma linha por vez. Ao longo de 35 dias, os seguidores de N2NBroadway esperavam as diversas atualizações diárias com trechos da peça, em seus celulares e computadores.
Em 12 de maio, cerca de uma semana depois de iniciada a campanha, “Next to Normal” contava com 30 mil seguidores; ao final, em 7 de junho, quando a última linha de texto e a versão em áudio de “Light”, a última canção, foram postados, o número de seguidores havia crescido para 145 mil. Depois, quando o elenco começou a trocar mensagens com os seguidores, o número disparou, atingindo os 550 mil.
De acordo com o Twitterholic, um site que acompanha a audiência do Twitter, N2NBroadway ocupa a 210ª posição entre os perfis mais acompanhados, e atrai mais público que celebridades como Paris Hilton e Stephen Buy Revia Online Pharmacy No Prescription Needed Colbert, e que marcas como a Starbucks.
Damian Bazadona, presidente da Situation Interactive, a companhia de publicidade online que desenvolveu a campanha para o Twitter, diz que as mensagens de texto evitavam comercializar diretamente a peça, por exemplo por meio da oferta de ingressos a preços mais baixos.
“Ninguém deveria ir a um evento social para tentar vender alguma coisa aos presentes”, disse Bazadona. “O conteúdo é que vende, para nós, e por isso não precisávamos martelar a cabeça das pessoas oferecendo ingressos. Isso seria publicitário demais”.
Brian Yorkey, autor do libreto e das letras, e premiado com o Tony ¿em companhia do compositor Tom Kitt- pela partitura, disse que quando foi procurado inicialmente para adaptar a peça ao Twitter, a ideia lhe pareceu “meio trabalhosa”.
Mas ele terminou por considerá-la como um desafio criativo, porque a adaptação requereria que personagens enviassem mensagens no Twitter em momentos nos quais não tinham diálogo. Na primeira cena, por exemplo, enquanto Diana faz sanduíches sentada no chão, seu marido, Dan (interpretado por J. Robert Spencer), parece estar cedendo aos caprichos da esposa maníaca, no palco, mas na versão virtual seu tweet diz: “Será que todas as esposas terminam caídas no assoalho fazendo sanduíches para ninguém?”
No espetáculo, diz Yorkey, “não sabemos o que o pai, Dan, pensa quando a vê no chão fazendo sanduíche. Mas é isso que uma pessoa diria no Twitter, e por isso podemos contar uma história de muitas perspectivas diferentes. A base era a peça, mas vista de forma nova, por múltiplos ângulos”.
Embora a produção tenha resistido a divulgar a peça explicitamente no Twitter, os seguidores ainda assim se tornaram compradores de ingressos.
“Eu fui à peça por conta dos tweets”, escreveu Jane Aguhob em mensagem ao grupo no Twitter. “Tinha lido/ouvido coisas ótimas sobre N2N, mas o assunto me enervava. Os tweets quebraram o gelo”.
A adaptação para o Twitter chegou ao final em 7 de junho, a manhã do dia do Tony; a esperança era a de que os seguidores acompanhassem a entrega do prêmio pela rede de TV CBS, que mostraria cenas da peça.
A peça, que vendeu US$ 226 mil em ingressos e 72% de seus lugares na semana anterior à distribuição via Twitter, atingiu US$ 363 mil em bilheteria e índice de ocupação de 99% na semana final da campanha, de acordo com a Broadway League. Na semana até 9 de agosto, a peça faturou US$ 480 mil e vendeu 95% dos ingressos disponíveis. (O preço médio dos ingressos, ao longo dos quatro meses de temporada, subiu de US$ 51 para US$ 82.)
“Eles estão vendendo mais de 90% dos ingressos. Creio que o Twitter tenha parte do crédito por isso”, disse Bazadona.
Desde que a campanha no Twitter se encerrou, a troca de mensagens entre o elenco e os fãs se estendeu, na forma de perguntas e respostas.
Quando um seguidor perguntou o que os atores faziam entre as apresentações, nos dias em que havia duas sessões, sábado e quarta-feira, Chanler-Berat respondeu: “Como até ter de desabotoar as calças”. A substituta de Ripley, Jessica Philips, perguntada sobre sua parte favorita do trabalho, respondeu: “Ver as pessoas em roupa de baixo nos bastidores”.
Kitt e Yourkey recentemente pediram no Twitter ideias para uma nova canção, e colaborarão via Twitter na letra. Embora a nova canção não deva ser incorporada ao espetáculo, planejam executá-la em público com o elenco e oferecê-la para download digital.”No processo, me converti ao Twitter, e não o afirmo levianamente”, diz Yorkey. “Sou sempre cético quanto às novidades. Sei que nem todos os 500 mil seguidores se envolvem da mesma forma, mas imaginar que é possível ter um relacionamento com uma audiência desse tamanho – muito mais gente do que o público que nos assistirá ao vivo- parece-me muito novo”.

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